segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Do paradigma à história


Último Registro Fotográfico do Prefeito Sérgio Malta, feito por mim, em agosto de 2009

A morte e seus mistérios sempre causam medo e curiosidade. Ao longo dos séculos em que o homem passou a dominar a terra, estudos e mais estudos não chegaram à nenhuma conclusão sobre o que significa o fim da vida.

Para os céticos a morte é simplesmente o fim, o ponto final. A vida, na visão deles, é uma passagem finita, estipulada, com início, meio e fim. Muitos religiosos, claro que varia muito de religião para religião, acreditam em continuidade. Após a morte, deixa-se o plano carnal (que seria a terra) e passamos a viver no plano espiritual.

Para os católicos há variáveis entre o céu e o inferno, para os espíritas, a reencarnação. E assim dissemina-se mundo fora, de acordo com a crença e a cultura de cada país, diferentes maneiras de encarar aquilo que ninguém aceita.

Às 3h20min da madrugada de domingo quando meu telefone tocou, esperava ouvir qualquer coisa, menos aquilo que eu ouvi. A notícia que o Prefeito Sérgio Malta havia falecido era a única que eu não imaginava receber naquele momento e não estava preparado para ela, como ninguém que a recebeu estava.

De fala mansa, calma, palavras ponderadas, a história política recente do Dr. Sérgio, ou simplesmente Malta se misturam com a minha história dentro do jornalismo, e marca minha vida de vez.

Recém iniciada a faculdade, recém integrando o Grupo Sobral, fui escalado pra fazer minha primeira entrevista exclusiva para o Jornal Sobral com o Prefeito recém eleito, em seu gabinete, isso no ano de 2005. Tremendo mais que vara verde, com uma pauta de perguntas anotadas num bloco de papel, uma vergonha sem tamanho a entrevista foi acontecendo.

Depois, por centenas de vezes o entrevistei novamente e a cada uma delas, mais experiência pude ganhar para exercer a minha profissão.

Profissão esta que também teve o apoio de Sérgio Malta, quando a faculdade me solicitou um estágio curricular obrigatório em assessoria de imprensa, e ele abriu as portas da Prefeitura pra mim, para seis meses de experiência, entre outubro de 2007 e abril de 2008.

Mesmo sendo filiado em outro partido, mesmo com todos motivos políticos adversos, Malta demonstrou sua confiança em mim. Em uma das tantas conversa em seu gabinete, um dia me falou que a minha capacidade profissional, era maior que a política, por isso estava lá dentro.

Tenho certeza que não o decepcionei naquilo que me competia, como nos informativos, artes gráficas, peças publicitárias, e programas institucionais. Ao saber do fim do meu contrato de estágio, numa passada pelos corredores da prefeitura, me deu um abraço e me desejara sucesso.

Retornando ao Jornal Sobral, curiosamente, quis o destino, que quatro anos depois da minha primeira entrevista com Malta, que eu fosse o último repórter, juntamente com minha colega Aline Kaczynski a fazer sua última entrevista exclusiva.

Ele e sua esposa nos receberam em sua residência, num dia de céu nublado, com pássaros cantando em sua varanda, onde optara em dar a entrevista. A imagem que mais me marcou, e não sai da minha cabeça, foi a dele, Sérgio Malta, sentado ao lado de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Esperançoso, recém recuperado, e como sempre atencioso, respondeu a todos os questionamentos, desta vez não mais anotados em um papel, não deixando nada a esconder sobre o processo que estava passando e das próximas etapas que viriam.

Malta lutou bravamente até o fim, não se entregou uma só vez, mas quis Deus que sua hora chegasse. E ela infelizmente chegou. Deixou a vida, para entrar na história. Um nome que não será esquecido tão cedo pela comunidade. Quebrou paradigmas, alçou vôos altos e hoje literalmente lá do alto está a olhar por nós.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Time bom é time que chega



Normalmente me restrinjo a falar de futebol nesta coluna, mas assim como ano passado, não há como encerrar o ano sem falar aqui do Colorado.

O Inter, no ano de seu centenário, justo quando alcançou a histórica marca de 102 mil sócios deixou a torcida com um leve gosto de “quero mais”. Foram seis competições disputadas, em duas sagrou-se campeão e em três, vice.

O ditado diz que time bom é time que chega! E isso há de se concordar, em todas as competições que o Inter entrou, estava em campo como favorito. E o favoritismo é justo de times bons, os ruins ninguém lembra, aliás, os ruins nem chegam lá.

Certo que a final da Copa do Brasil e da Recopa decepcionou muita gente, a culpa pode ter sido do Dunga por ter levado o Nilmar para seleção, ou então da altitude equatoriana. Mas por si só o colorado pecou, cometeu erros, e os bastidores, os fatores extra-campo foram fatores decisivos em alguns jogos.

A falta de vontade de alguns jogadores, o salto alto, o oba-oba, às conspirações contra o técnico Tite, fizeram o segundo semestre do Inter ir dos céus ao inferno em um piscar de olhos.

Só que o Internacional de Porto Alegre é maior que isso, muito maior! Mesmo com a derrota para pseudo-rebaixaixados e empates com times fraquíssimos o Inter foi o MELHOR ataque do MUNDO em 2009 com 152 gols, à frente dos grandes clubes europeus. E isso tudo em 75 partidas e 6 competições diferentes. Foi o time que mais disputou campeonatos neste ano e consequentemente, o time que mais partidas disputou. Recordes e mais recordes!

Sem contar que o Inter continua sendo o último time brasileiro que conquistou a Libertadores da América. É o primeiro e único time brasileiro que valorizou a Copa Sul Americana, sagrando-se campeão.

Ao conquistar a Sul Americana, credenciou sua vaga para disputar a Copa Suruga no Japão, motivos de chacotas para o adversário que usam o seu nome com trocadilhos sem graça.

Pois nessa competição de nome estranho, o Inter atravessou o mundo, foi ao Japão, e mais uma vez levantou outra taça de campeão em terras orientais. Ai vai ter quem diga: “tituluzinho de m...”. É, mas esse título foi o único título internacional, conquistado por uma equipe brasileira em 2009.

Isso mesmo, o Inter foi o único time do Brasil que foi campeão além fronteiras, repetindo o que aconteceu em 2006, 2007 e 2008. Um título internacional por ano!

O engraçado é que quando o Inter chegou com seriedade na Sul Americana, ela era a segundona da América, de acordo com murmurinhos por ai. Agora que para certos times só restaram uma humilde colocação no brasileiro, terão que disputar a bendita “segundona da América” é a competição do ano para eles. Estão certos, de segundona eles entendem!

Mas o que mais importa para o Inter agora é focar em 2010. O novo técnico Jorge Fossati terá um trabalho dificultoso pela frente e uma responsabilidade imensa: Fazer do Internacional Bi-Campão da América. Qualidade de elenco todo mundo sabe que o Inter tem, o que falta muitas vezes é vontade dos jogadores, Fossati veio para mudar isso, juntamente com os novos reforços que chegarão.

Nesta quinta-feira, dia 17, uma grande festa animou o estádio Beira Rio encerrando a programação do ano centenário e comemorando os três anos da conquista do mundo e os 30 anos do brasileiro invicto.

É isso então, Time bom é time que chega! E em 2010 o Inter estará lá,
tentando mais uma vez pintar a América de vermelho, e nós torcedores,
simpatizantes, fanáticos, estaremos a uma só voz : “Vamo Vamo Inter”

E para finalizar, parabéns ao nosso adversário, que este ano foi
aprovado no ENEM: E nem Gauchão, E nem Brasileirão, E nem Libertadores!!!

Tresloucada?

O sentimento e a emoção, muitas vezes, levam as pessoas a extrapolarem o sentido da razão. A mãe que agrediu uma professora foi o assunto da semana e está sendo julgada de louca, desvairada e uma série de adjetivos desnecessários.

A mãe pode ter errado, pode! Ela mesma assumiu isso no rádio, mas perguntem se ela foi ouvida? Se tudo foi esclarecido?

Somente que é pai, ou mãe sabe do sentimento que tem ao seu filho. Porém, em especial, a mulher, a fêmea, seja de qual for a espécie move ‘mundos e fundos’ para defender os seus filhos. Não é só a humana. No mundo animal isso é muito comum. A leoa, por exemplo, mata os leões que se aproximam do seu ninho tentando matar sua prole para que ela entre no cio novamente.

Se a leoa pensasse, ela estaria apenas protegendo os seus filhos e não cometendo um ato irracional. Ela estaria assegurando a continuidade da espécie. O leão por si só, não pensaria assim. Porém ambos são animais, não pensam, agem por instinto, só que o instinto materno é um só, seja qual for a espécie, raça, filo, etc.

Então, como julgar uma mãe que age com o instinto materno?

Já fui aluno e sei como as professoras às vezes te pré-julgam, por uma atitude ou outra, ou ficam de marcação em cima da gente, até por birra. Na contra mão, também já estagiei como professor de informática e sei como alguns alunos incomodam e te tiram do sério.

Igual, nada justifica! Só que julgar, apontar o dedo, incriminar sem ouvir os dois lados, sem saber o que está mesmo acontecendo é muito fácil. Agora quando você é um dos lados da história, tudo muda.

Um natal solidário

Toda criança acredita na magia do natal. Pede, sonha, imagina presentes que queira ganhar do Papai Noel. Pena que nem todos os pais tenham condições financeiras de atender os pedidos de seus filhos.

As crianças carentes também vivem o natal tão quão as mais abastadas, claro que sem requinte algum e na maioria das vezes sem presentes. Os motivos são vários, os pais desempregados, as condições precárias de vida, não possuem pai, ou mãe, entre tantas coisas que poderiam quebrar este encanto. Mas para muitos desses jovens a esperança é o presente, e através de suas cartinhas que postam no correio, sonham serem atendidos.

Por isso, vá até a nossa agência dos correios, pegue uma carta repleta de sonhos infantis e os torne realidade. Vá você que poderia gastar esse dinheiro sobrando em uma bobagem qualquer, vá você que ajuda todo ano e irá repetir o ato mais uma vez e principalmente... Vá você que é empresário que tem infinitas condições de ajudar tantas crianças e muitas vezes cruza os braços como se não fosse com você.

Butiá é repleto de pessoas solidárias, que ajudam e contribuem, mas ainda há aquelas que pouco abrem a mão. Ajude, contribua, se coloque no lugar de uma dessas famílias, volte no tempo, se imagine quando era criança e como sonhava também em ver o Papai Noel, ganhar o seu presente.

Nada no mundo se iguala ao sorriso de uma criança que tem o seu sonho concretizado. Pense Nisso!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A solidez do Festival



Os mais de dez anos que marcaram a ausência no Festival Coxilha Negra podem ficar no esquecimento de vez. Em 2008 seu retorno foi um pouco modesto. Uma grande estrutura foi montada, as músicas eram apenas da linha nativista, porém de excelente qualidade, e os shows foram emblemáticos, reconquistando o público.

Só que 2009 prometia, e a promessa foi cumprida! A estrutura de iluminação, palco, telões e som foram inéditos na cidade. O retorno da linha popular abriu ainda mais as portas do festival para o restante do Rio Grande do Sul, os shows ainda maiores e o resultado foi inegável. As mais de 10 mil pessoas que passaram pelo Ginásio Gastão Hoff, nos cinco dias de festival conferiram: um Coxilha Negra sólido, robusto, que mostrou o porquê de seu retorno, e a força que terá para o futuro.

Os organizadores, os patrocinadores, os colaboradores, a Prefeitura Municipal, peças chaves desta engrenagem, estão de parabéns. Ambos fizeram a cidade se movimentar. O Festival não é só música, ele é dinheiro girando no comércio da cidade. Hotéis, restaurantes, lanchonetes, bares, postos de combustíveis, lojas, ambulantes e tantos outros foram beneficiados com a realização deste evento.

É de eventos culturais assim, com esta grandeza, que a cidade estava precisando. A música emociona o público, arranca aplausos da platéia, cria torcidas, expectativas, faz nascer novos talentos, ou até trazer à tona os esquecidos. A cidade passa a respirar um clima que estava nos fazendo falta e com certeza a partir de agora, não mais abandonará a nossa atmosfera.

Muito Obrigado

Nesta segunda-feira, dia 30, tive a oportunidade de reencontrar a professora Elisabeth Lenzzi, uma das maiores educadoras de nossa cidade, foi professora da minha mãe e tive a honra de também ser educado por ela, durante seis anos no Iecpac.

Após ouvir suas palavras amáveis para comigo, não poderia deixar de externar aqui, publicamente, o orgulho de ter aprendido com ela muito do que sei hoje sobre a língua portuguesa e poder aplicar aqui, nesta redação.

Às vezes nos meus artigos e até mesmo nas nossas páginas do Jornal Sobral, passam alguns erros de português, são crases, vírgulas, concordâncias, e tantas regras que volta e meia nos escapam aos olhos e acabam impressas. Mas damos do nosso melhor, e sempre tento aplicar todos os ensinamentos, tão bem explicados pela professora Beth.

Só tenho a agradecer a oportunidade de ter sido seu aluno e muito ter aprendido em suas aulas. Muito obrigada professora, pela vida toda levarei sua disciplina como exemplo, e todos os seus conhecimentos passados a mim. Mais uma vez... Obrigado!

2010

Com mais um final e ano chegando, as semanas se encurtam, os finais de semana passam a ser repletos de atividades, são festas, formaturas, confraternizações, um mundaréu de eventos e o tempo, este está em contagem regressiva para 2010.

Mais um ano novo, e com ele as esperanças se renovam, as expectativas aumentam, e os sonhos passam a ser desejos. Tomara que tudo de certo à todos nós nesse próximo ano e que nossas metas sejam alcançadas.

Gripe Suína - Verade ou Mentira?

Será que a gripe suina é realmente o problema?
Ou tudo não passa de uma conspiração dos mais poderosos?
Assista, e responda a estas perguntas!




Como já diz a música: Homem Primata, capitalismo selvagem.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A natureza cobra seu preço



As chuvas intermitentes voltaram a se repetir neste final de semana, mais intensas ainda que das outras vezes. Dezenas de ruas ficaram completamente alagadas, a maioria no centro da cidade.

A grande mídia já divulga o porquê dessas chuvas que são as maiores dos últimos 30 anos. Umidade vinda da Amazônia, El niño, e outra série de modelos metereológicos causaram esse aguaceiro brabo.

E está cada vez mais provado que o crescimento desordenado e a falta de um planejamento foram o maior responsável por todos esses alagamentos. Um exemplo que ouço muito as pessoas falarem é como os engenheiros e arquitetos que construíram as Lojas Lebes, na Av. Piratini simplesmente ignoraram o fato de em seu subsolo passar uma sanga? Toda vez que as chuvas começam a loja alaga!

Mas esse não é um fato isolado, com o crescimento da cidade no passado, açudes foram aterrados, sangas desviadas, casas e prédios foram construídos em cima de córregos. Só agora que os resultados estão aparecendo e a natureza talvez se vingando.

Até parece meio clichê ficar jogando a culpa na natureza, usar idéias de ambientalistas, isso ou aquilo. Mas parem para pensar, olhem, observem e analisem em Butiá às margens dos arroios que passam pela cidade.

Acompanhamos o leito do Arroio Cascata (é aquele que passa pela escola Marechal Rondon, depois pela entrada da Vila Julieta, e por fim atrás da Prefeitura) está semana e notamos além de quilos e quilos de lixo que são jogados dentro d’água, muitas casas foram construídas praticamente dentro da margem do arroio, aterrando e diminuindo o curso natural da água. Além de muitas casas em sua volta que jogam seu esgoto descaradamente para dentro do arroio. Num ponto com a erosão que causada pela força da correnteza, mais de 10 canos ficaram descobertos.

Esta não é uma crítica aos moradores! Talvez muitos deles não acompanharam o projeto de construção da casa, ou já compraram a residência sem saber que seus esgotos deságuem dentro do arroio, só que a partir disso começamos a achar explicações para os alagamentos.

E outra, lugares onde antes havia peixes, hoje já não existem mais. Quando os peixes desaparecem a certeza da poluição é inegável.

As chuvas foram excessivas, ninguém nega, mas a partir disso podemos entrar no assunto paradoxal dos ambientalistas. Por que a intensidade dessas chuvas? É o aquecimento global? O lixo, a sujeira, o esgoto, são um dos responsáveis pelos alagamentos?

Lembro-me do Professor Victor Hugo Tomé, além de todas suas qualidades, eram um eterno defensor das causas ambientais. Ainda quando era vivo e trabalhava ao meu lado no Jornal Sobral, estávamos iniciando uma série de matérias sobre o arroio Cascata, relatando que ano a ano seu leito vinha sendo diminuído por construções e aterramento sem autorizações.

Até estava dentro do nosso planejamento, percorrer por dentro do arroio, todo o seu trecho urbano. Isso aconteceria no verão, quando as águas estariam mais baixas, só que naquele verão o Victor passou mal, foi internado e não mais voltou. A matéria por consequência acabou engavetada.

Ele um dia me disse:
- Carinha, não interessa o tempo que vai demorar, mas um dia a natureza vai cobrar seu preço e eu não vou estar vivo para ver.

É ele tinha razão, parece que ela está começando a querer a acertar as contas com agente, e ao que tudo indica, é só o começo.

O que está acontecendo?



Chuvas, chuvas e mais chuvas. Não, esqueci! Chuvas, granizo, ventos e mais ventos, mais chuvas e mais ventos. A pergunta é: O que está acontecendo?

Em apenas dez dias choveu a média de no mínimo uns quatro meses. Butiá que há anos não sofria com este tipo de “imprevistos da natureza” em uma semana foram três alagamentos seguidos. Todos os bairros da cidade sofreram de alguma maneira, todas as pessoas e casas tiveram algum tipo de prejuízo, nem mesmo o comércio, as lojas, e prédios públicos escaparam.

E não foi só Butiá! Pântano Grande, Minas do Leão, General Câmara e muitas outras cidades do Rio Grande do Sul, até outros estados do país. Cenas antes vistas somente pela TV estão fazendo parte de nosso cotidiano. Onde isso vai parar?

É de se concordar que o sistema pluvial de Butiá é obsoleto e foi construído sem nenhum tipo de planejamento ao longo destes quase 100 anos de formação urbana. A cidade foi construída sob sangas e microbacias hidrográficas, somados a canos colocados de qualquer maneira, lixos jogados em locais impróprios, esgoto despejado na mesma rede. Uma soma de fatores ao longo de anos, em que os resultados estão aparecendo agora.

Também não dá para se culpar por inteiro o sistema pluvial, a quantidade de chuvas é que foi absurda nos últimos dias e acabou destacando o problema antigo, mas não foi só a chuva que deixou Butiá em estado de choque, o vento destelhou casas e derrubou árvores, o granizo quebrou telhados.

A Secretaria de Obras, Assistência Social e Saúde estão se virando como podem, enviando equipes de um lado para o outro para tentar ajudar um aqui, outro ali, mas todos foram pegos de surpresa por esta sequência de acidentes metereológicos.

Recordo-me ainda no colégio, lendo a revista Super Interessante, numa matéria intitulada, se a memória não me falha, em “Revolta da Natureza”. Seu conteúdo dava destaque ao aquecimento global e as alterações climáticas e estava escrito em letras bem grandes: “As catástrofes naturais serão eventos cada vez mais comuns em nosso dia a dia, em todos os países do mundo. Só que esta frequência tende a aumentar cada vez mais, a tal ponto que a partir de 2012 (um ano bem sugestivo!) chegará a um patamar em que as cidades, estados, países não terão dinheiro suficiente para se recuperar, devido à eminência catastrófica que será atingida”.

Esta frase não soou bem na primeira vez que a li, isso em 2004, só que cada vez ela faz mais sentido. Depois dela aconteceu o tsunami no pacífico, que repetições anuais. O furacão Catarina foi o primeiro do Brasil e da América do Sul, assustou e causou imensa destruição no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, sem contar o Katrina quase tirou do mapa Nova Orleans, secas, as quatro estações não são mais tão bem definidas, prejudicando a agricultura.

Santa Cataria, talvez o estado que mais tenha sofrido com essas alterações climáticas, passou por duas enchentes em menos de um ano, com dezenas de mortos e centenas de casas e cidades destruídas.

É um pouco frustrante você ver tudo isso acontecendo e não poder fazer nada, porque foge do seu controle, é algo em que você deixa de ser o ator principal e passa a ser mero coadjuvante.

Toda a arrogância, ganância, ignorância e o pseudo-poder que o homem acha que tem sobre a Terra, na realidade não existe e isto está cada vez mais evidente. Se tudo continuar assim, se as previsões metereológicas continuarem a se confirmar, se aquele futuro antes distante, está cada vez mais presente é chegada à hora de abrir os olhos e ver que algo está errado, de verdade, e não achar que tudo não passa de teorias babacas ou que isto não acontecerá com agente.

As provas estão ai, ricos, pobres, casarões, casebres, empresários, catadores de lixo, todos estão enfrentando problemas com o tempo e ao que tudo indica, é apenas o começo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

2012 mania



O polêmico assunto 2012 está mais em alta do que nunca. Após minha coluna da semana passada, recebi diversos e-mails e comentários sobre que escrevi, muitos assustados, surpresos outros descrentes e alguns como o amigo Walter Saviotti, que é conhecedor do assunto, além de um grande estudioso do tema.
Eu já havia assistido documentários do History Channel, Discovery Channel e vídeos na internet, mas Walter me proporcionou assistir o DVD “2012 Ciência e Superstição” que é uma produção americana e ainda não tem sua versão em português, apenas com legendas em espanhol.
Cientistas, escritores, investigadores falam e tentar diferir o que de todo o conteúdo dito hoje sobre 2012 é verdade, o que é ciência e o que é superstição. Há muito sensacionalismo em torno disso, porém as evidências das frequentes catástrofes naturais, tão comuns nos últimos anos, pode chegar ao seu clímax em 2012.

O que será que tudo isso significa pra nós? Devemos esperar sem dar bola pro assunto? Ou devemos iniciar o princípio da renovação da consciência para nos prepararmos para algo que supostamente possa acontecer?
Podemos ficar horas nos perguntando coisas, afinal como fala um comercial da TV Futura “são as perguntas que movem o mundo e não as respostas”.
Acompanhando os plantões dos telejornais nesta terça-feira, referente ao apagão em mais de 800 cidades no Brasil, vendo os desespero dos jornalistas em buscar explicações para as causas da falta de energia elétrica, lembrei de cenas de filmes catastróficos famosos como Armagedon, Independece Day, O Dia Depois de Amanhã, Guerra dos Mundos, e tantos outros, que momentos antes no início do período caótico, o fornecimento de energia é totalmente interrompido e deixa a população apreensiva. Eu fiquei apreensivo!
Assisti a tudo e me perguntava, o que é que estava acontecendo? Record, Globo, Band, SBT interrompiam suas programações de 15 em 15 minutos mostrando megalópoles como São Paulo e Rio de Janeiro completamente às escuras, suas principais vias congestionadas, seus trens parados, aeroportos fechados e hospitais funcionando com geradores, cenas de cinema. Um dos motivos deste blackout foi uma tempestade no estado de São Paulo que causou todo esse transtorno. Culpa do tempo!

O tempo, ele só ele tem as respostas para tudo. O homem de hoje vê o tempo como algo linear, seu passado, presente e o futuro, são coisas fixas. O que passou não volta, o que acontecerá é resultado do destino e hoje é simplesmente hoje.
As civilizações mais antigas: maias, egípcios, islâmicos, sumérios, não viam o tempo assim. Eles o estudavam como algo fluído, que se repetia ciclicamente em eras distintas, e todas com princípio e fim, com períodos de apocalipse e renovação. Lendas e mitologias de todas culturas politeístas do mundo, independente se avançadas ou não falam de períodos de desesperança.
Até os indígenas que estão em contato direto com a natureza, sabem do futuro não muito agradável que está por vir pela falta de equilibro no planeta e ainda por cima muita gente é cética e não quer acreditar que algo realmente pode acontecer. Não necessariamente o fim da espécie, mas quem sabe o fim da maneira de pensar.
A Terra suportaria tranquilamente 1 bilhão de pessoas, andando de bicicletas, ou a pé, só que são quase 7 bilhões andando de automóveis de um lado para o outro, movidos por combustíveis fósseis. Tudo ficou insustentável!
Vivemos como parasitas, consumindo demais, gastando demais, devastando os recursos naturais. As geleiras estão derretendo, os animais se extinguindo. Estamos destruindo a nossa casa, o nosso lar.
O que está escrito aqui não é algo doutrinário, são apenas reproduções de comentários e pesquisas daqueles que são considerados grandes intelectuais deste planeta. Cabe cada um tirar sua livre interpretação.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Você consegue explicar?

Algumas vezes cheguei a me questionar o que é a emoção? Quem a controla? Para que serve? Mas às vezes nos vemos em situações que nos deparamos com ela, e esses questionamentos simplesmente desaparecem.

A ciência explica que a emoção é um impulso neural que move um organismo para a ação. Ao contrário do sentimento, que é a emoção filtrada através dos centros cognitivos do cérebro, especificamente o lobo frontal, produzindo uma mudança fisiológica em acréscimo à mudança psico-fisiológica.

Mesmo com essas palavras difíceis e com toda sua exatidão a ciência não consegue explicar e diferir o que pode deixar uma pessoa emocionada ou não. As lágrimas são a principal forma de notar quando a emoção ultrapassa o sentido neural. Há quem chore olhando comercial de margarina, há quem nunca chore, há quem chore de dor, por amor, por saudade, há quem ria e chore ao mesmo tempo, enfim.... Entre a razão e a emoção há uma lacuna gigantesca para o ser humano preencher e achar tantas respostas.

Cada um vê de uma maneira

Certa vez escrevi aqui sobre as teorias relacionadas ao final dos tempos em 2012. Pra quem não lembra estas teorias, ao contrário das de Nostradamus, são baseadas em estudos científicos dos antigos povos pré-colombianos, em especial os Maias. Mas somadas a eles existem previsões de diversas outras religiões e povos sobre este emblemático ano.

Católicos, chineses e até um programa que está na rede mundial de computadores, o Weboot, prevê pelo conteúdos das páginas e do material que circula na Internet que em 2012 alguma coisa acontecerá.

Cada um vê de uma maneira, os céticos acham que é “balela”, alguns creem que alguma mudança vai haver, mas não será o fim. Já os catastróficos já falam no juízo final. Eu aposto em alguma mudança, não sei de que tipo, se de pensamento, da economia mundial, das administrações públicas, mas nada grandioso como muitos falam.

Na próxima sexta-feira, dia 13, data bem sugestiva, estará estreando nos cinemas da capital o filme 2012, do famoso diretor americano Roland Emmerich. Este é o mais esperado do ano e trata justamente sobre a teoria Maia do final do mundo, promessa de ser recorde de bilheterias.

Piração?

Agora além do fim do mundo, circula na Internet a uma nova teoria, está chamada de “Terra oca”.

Willian Reed, em seu livro Phanton of the polos (Fantasma dos Polos), publicado em 1906, reúne a primeira compilação de evidências científicas, baseadas nas narrativas dos exploradores árticos. Ele afirma: “A terra é oca. Os pólos há tanto tempo buscados, são fantasmas. Há aberturas nas extremidades norte e sul. No interior estão grandes continentes, oceanos, montanhas e rios. É evidente a vida vegetal e animal neste novo mundo, que é provavelmente povoado por raças desconhecidas dos moradores da superfície da terra.”

Piração? Pode ser... Mas não para o contra almirante Bird, ele fez expedições pelo Ártico e pela Antártica. Na primeira expedição realizada em 1947, Bird voou em direção ao pólo norte, percorrendo 2730km, retornando para se reabastecer. Nas suas narrativas, conta que progrediu para além do pólo, encontrando terras sem gelo, com lagos e montanhas cobertas de florestas , vendo no seu sobrevoo um enorme animal parecido com o mamute, deslocando-se na vegetação rasteira .

Na segunda expedição comandada por Bird realizada na Antarctica, ultrapassando 3.690km além do pólo sul, o voo, realizado pelo contra almirante em 1956, conta com fatos inusitados. Ao retornar desta expedição, Bird declarou: “A atual expedição descobriu uma vasta terra nova”.

Contemporâneos seus teriam declarado: “Havia um estranho vale embaixo, era verde e luxuriante. Havia montanhas cobertas por vastas florestas e havia grama viçosa e vegetação rasteira”.

Em 1957, o mesmo almirante Bird disse: “aquele continente encantado será um mistério eterno na terra”. E assegurou que a sua expedição polar do sul foi “a expedição mais importante, na história do mundo – tendo descoberto uma terra nova vasta”. Por ser militar, muitos segredos de Bird permaneceram ocultos aos civis e estes fatos caíram no esquecimento.

Das duas uma, ou o escritor Willian Read e contra almirante Bird eram “lelés da cuca”, ou os livros de geografia estão errados. Eu sou mais da primeira opção, hehehe!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Alvo Fácil

Certa vez quando entrevistava a renomeada escritora Martha Medeiros, perguntei a ela qual era a real função de um colunista? Ela me respondeu: “Gerar conflito!” Ainda enfatizou: “Não podemos e nem devemos agradar a todos. Escrever publicamente nos torna alvo fácil de críticas, assim como de elogios. Claro que as críticas são mais marcantes que os elogios, mas para uma crítica, sempre existirão 20 elogios”. Palavras de Martha Medeiros que nunca esquecerei!

Complexo Cultural

Esse projeto mostrado semana passada no Jornal Sobral é o anseio mais antigo da nossa comunidade. Mais de 30 anos se passaram desde o fechamento do Poço Farroupilha, popularmente chamado de Poço 2 ou Esqueleto, e nesses 30 anos muita coisa foi perdida, pois aquela imensa estrutura ficou jogada ao tempo, aos vândalos e aqueles que a ignoravam.

Através de verba do Ministério do Turismo tudo indica que esta obra sairá do papel no ano que se aproxima. Lá estará o espaço que a cidade tão necessita, um espaço até então inexistente.

O complexo cultural abrigará praça de lazer, com bancadas em torno das ruínas, uma plataforma de eventos para apresentações artísticas. Ainda está prevista a construção do memorial do mineiro, que será um prédio semienterrado com acesso através de um e no espaço que compreende as ruínas um centro cultural com salas para oficinas artísticas, exposições de artes, arquivo histórico, uma sala para Acub, além de diversas salas multiuso.

Esta sim é uma obra de fundamento e se conclusa esperamos eu e todos nós que um novo momento passe marcar a vida cotidiana da cidade. Que a cultura passe a ser desenvolvida neste espaço com crianças, jovens, adultos, idosos. Que os investimentos não cessem e que Butiá possa viver com um novo marco cultural.

Inclusão Digital

O Projeto Infovias, divulgado em primeira mão pelo Jornal Sobral, está cada vez mais em alta na cidade. Na última visita dos vereadores à capital federal, durante a semana que passou, a comitiva buscou a viabilização deste projeto que se sair do papel será de extrema importância para cidade.

Além de um interligamento total de sistemas de escolas municipais, secretarias e os mais diversos órgãos da administração pública, o Infovias instalará câmeras de vigilância em espaços públicos, praças, prédios, patrimônio histórico em um sistema integrado que será estudado seu monitoramento junto à Brigada Militar, caso realmente saia do papel.

Este projeto trará também maior facilidade de acesso a Internet a todos. Pontos espalhados pela cidade com acesso liberado à internet wii-fii, mediante a um cadastro, é mais um ponto positivo.

Isso tudo colocaria Butiá em destaque, visto que apenas os grandes centros possuem essa facilidade e nossa cidade estaria à frente a muitas outras em termos de inclusão digital.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Volta

Ao certo muitos estranharam a ausência desta coluna na semana que passou. Com apoio dos meus diretores achei melhor deixar de escrever semana passada, pois caso eu escrevesse todos saberiam do assunto e este já havia dado muito pano para manga.
Mas para aqueles que ainda não me viram, tranquilizem-se, pois o susto passou, as dores e o inchaço graças a Deus também.

Esta semana fui liberado, aos poucos, para retornar as atividades físicas, jogos, academia e a Cia de Artes Universo em Dança, onde até desta tive mas abster de participar, chegando a prejudicar o grupo em um espetáculo que faríamos em Caçapava do Sul no último sábado. Mas Paciência! Com o andar da carruagem, as melancias vão se ajeitando.

Não foi preciso interromper meu trabalho, porém algumas faltas passaram a entrar para a rotina, consultas, exames e etc. Num desses, na segunda-feira tive que ir a São Jerônimo e fiz a besteira de ir de ônibus.

Caos nas Estradas

A situação da estrada Butiá – São Jerônimo, RST 470, a estrada do inferno como o Jornal Sobral mostrou diversas vezes é caótico, sem contar os ônibus que fazem este trajeto.

Para quem não sabe a RST 470, na realidade é uma BR que vai de Camaquã aqui no Rio Grande do Sul até a cidade de Navegantes em Santa Catarina. Como quem a administra no trecho gaúcho é Governo do Estado, ela passa a ser na realidade a RST 470.

A rodovia que tem mais de 470 km é toda asfaltada no trecho catarinense, sendo a principal "artéria" do Vale do Itajaí e também uma das principais vias de acesso ao Porto de Itajaí e ao Aeroporto de Navegantes. Já no trecho gaúcho acontece o oposto, menos de 40% de seu traçado possui asfalto e seu projeto está praticamente abandonado.

Dentro de seu trajeto que passa pela Região Carbonífera ela contemplaria, se saísse do papel, a famosa ponte entre São Jerônimo e Triunfo, com um vão de 900m, e o asfalto completo de São Jerônimo a Porterinha na sub-estação do Areal, que tem 19,2 km de extensão.

A Politicagem Eleitoreira

O primeiro trecho de asfalto que esta rodovia recebeu foram os 6km entre a entrada de São Jerônimo e a famosa “curva da morte” ainda no início dos anos 90, depois 1 km no meio da rodovia foi asfaltado. Não me pergunte por que apenas 1 km e ainda no meio da rodovia, certamente foi num período eleitoral.

Assim como aconteceu nas vésperas da re-eleição de Olívio Dutra que foi derrotado pelo Rigotto, quando mais 6km seriam asfaltados, dois lotes de três. Antes da eleição eram máquinas dum lado pro outro, a estrada ficou um tempão interrompida e após a derrota a rodovia foi aberta sem a obra estar concluída.

As máquinas foram embora e o resultado a estrada ficou pior do que antes, hoje é um inferno na terra. E a notícia boa é que em 2010 parece que as obras serão retomas. Legal, pena que 2010 é um ano de eleição de novo e já sabem se a atual governadora perder... Babaus!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Indubitável

Errou aquele que teve uma falsa premonição do seu fim. Triste está nesse momento aquele que torceu pela sua desgraça. Mas como não se enlutar quando os valores estão inversos, quando é tentado nos vendar os olhos para aquilo que todos sabem que está errado, porém tapam o sol com a peneira.

Depois de toda tempestade, fria, escura e devastadora sempre vem a calmaria e a luz, essa que é tão indispensável no dia a dia e nos revitaliza cada manhã, como um sinal de recomeço e clareza.

Não importa se quem tem o poder, deu falso testemunho e nos virou as costas. Não importa se o processo não está claro e até quem sabe irregular. Não importa se hoje somos minoria. Não importa! Nada importa quando você se tornou um grão de areia, fronte a um oceano de interesses.

Ora optávamos pela imparcialidade, sem renegarmos que nos acolhia, mas agora como negar a “bala na agulha” do outro lado quando seus vínculos estão em níveis escalonados dentro da colméia.

A arrogância, a soberba e o popular salto alto foi uma lição desestabilizadora, abriu os olhos e mostrou que nem tudo é como se pensa que é. Ninguém mais anda com as próprias pernas, alguém sempre resolve para alguém seja qual for a enigmática e suas variáveis.

Só que ainda assim o coração não para de bater um só instante, o pensamento não descansa um segundo e o remorso também. Feliz daquele que consegue escrever sua história sem os contra tempos daquilo que já foi escrito, superando-os como se nada acontecesse.

Já que assim foi decidido, agora é a hora de mostrar mesmo se a força ainda vive dentro de cada um, escondida, hibernada, ou fervorosa. Pequena ou grande ela não pode se apagar e não pode abandonar aquele o utópico projeto exemplar, seguido Ágora à fora.

A brincadeira sadia, às vezes assusta quando ultrapassa o campo da razão, mas também como culpar os arrazionados. Calma! A retórica e a interpretação nem sempre condizem com o real sentido de uma análise às escuras.

De todo texto louco, a sanidade prevalece como num círculo de giz: infinito, porém de giz. O próprio Brecht questiona: “Como é possível ser bom em um mundo mau?”.
Você já escolheu o seu lado? E as suas armas? Eu já escolhi.

Olha como ontem mudou! Hão de aprender caminhando...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Menos um



Um boné voando no ar. Um zunido no ouvido do policial. Um estampido curto, 1seg de duração, não maior que um piscar de olhos, seguido de um corpo caído no chão. Assim se encerrou um drama carioca na última sexta-feira, com um tiro certeiro de um atirador de elite do Batalhão de Operações Especiais – Bope. O Brasil se livrou de mais um criminoso, louco, drogado e perigoso. Muito perigoso.

O tempo de raciocínio do atirador era contado em milésimos, a mira era milimétrica, sem contar a respiração controlada, a precisão no tato, muita frieza e um preparo psicológico inigualável.

Um descuido do sequestrador, o desespero da vítima, e as negociações irremediáveis fizeram do sniper (como é chamado o atirador) aferir seu fuzil e disparar uma bala que viaja 800m por segundo.

Como se posiciona em lugares altos, o atirador tem condições de colher informações sobre o inimigo durante os longos períodos da negociação. Só ao final de todas as tentativas, quando o comandante envia sinal, é que o franco atirador entra em ação.
A decisão de puxar o gatilho durante uma ação policial com refém é o último e mais arriscado recurso. Seu erro é fatal.

Antítese do 174



O sequestro do ônibus 174 em junho de 2000 no Rio de Janeiro foi um dos mais famosos do Brasil, com 5 horas de duração e transmissão ao vivo pelas emissoras de TV. Com o desfecho mais vergonhoso da história do Bope, junto com o caso da menina Eloá, a partir dele é que foi criado um departamento especializado em atiradores de elite. Hoje somam apenas 15 sniper, que treinam exaustivamente todo dia, tentando chegar o mais próximo da perfeição.

No 174, Sandro Barbosa havia entrado para cometer apenas um assalto, mas acabou ficando preso no ônibus, com isso fez 11 passageiros como refém. Assustou fotógrafos e cinegrafistas disparando um tiro contra um vidro, simulou matar uma refém para pressionar a polícia, e enviava recados pelo vidro, onde as reféns escreviam com batom.

Prometeu matar todo mundo às 18h daquele dia, mas somente às 19h30min saiu para a rua usando uma professora com escudo humano. Um policial do Bope, precipitado, foi em direção de Sandro e disparou um tiro com uma sub-metralhadora, errando e acertando a cabeça da professora.

Sandro foi rapidamente imobilizado por outros policiais, que o levaram para o camburão e lá foi morto por asfixia antes que fosse linchado pela população.

Depois do 174 tudo mudou, ele foi a antítese para tudo isso.

Eloá morreu pelo despreparo




A menina Eloá podia estar viva hoje, se os atiradores de elite paulistas fossem tão preparados e eficientes como os cariocas. Após mais de 100 horas de cárcere privado, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e da Tropa de Choque de SP explodiram a porta - alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento - e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns.

A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Hospital tendo morte cerebral hora mais tarde.

Uma ação policial trabalhada, que resultou na morte de uma inocente.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando não é de raiz

A coisa que mais chama atenção em mim durante a Semana Farroupilha é a quantidade de gaúchos “cola fina” que aparecem do nada. A maioria não sabe nem o que é uma pilcha e para que serve e muitos nem sabem ao certo o que é comemorado mesmo nesta data.

Não me adianta dizer que viu “A Casa das Sete Mulheres” e ali aprendeu tudo sobre a história do Rio Grande do Sul. Esta mini-série não passou de uma adaptação de um livro, ou seja, 50% da trama que a Globo mostrou para o resto do Brasil não era verdade, era ficção, além de que muitos fatos históricos do período não foram contados ali. Bento Gonçalves, por exemplo, não era tão apaixonado por Caetana como foi mostrado, ele era mulherengo e desleixado com a família.

Preservar a cultura gaúcha é mais que um direito de todos, é quase um dever só que não venham falar o que não sabem e ainda por cima querendo dar uma de grandes tradicionalistas. Todo mundo que vive neste meio sabe quem é quem, e fica na cara quando o troço é forçado, quando não é de raiz.

Um pouco mais de diretriz

As entidades tradicionalistas, não só de Butiá, da região, mas de todo estado, devem manter ativas ou criarem suas próprias diretrizes normativas em respeito às tradições gaúchas, quando bailes estiverem acontecendo.

Atrair mais pessoas para dentro do seu CTG, ter movimento na copa, é excelente para a saúde financeira da entidade. É mais um estímulo para manter vivo estes “estabelecimentos” que possuem como único objetivo preservar a cultura.

Mas temos dois exemplos distintos entre os dois CTGs da cidade. De um lado o Saudades do Pago que proíbe em seus fandangos pessoas que estejam dançando sem a pilcha completa. Em seus bailes os grupos musicais só tocam devidamente pilchados e com um repertório pré-aprovado pelo patrão. No salão o maxixe é proibido, além de chapéus, bonés, mini-saias, e tudo aquilo que se foge do ideal de um CTG.

Na contra-mão o Vaqueanos da Querência viveu em sua história recente, períodos complicados com suas domingueiras quando era tudo liberado. Até mesmo o MTG chegou a avisá-los se as coisas não mudassem a entidade seria penalizada. Hoje a entidade está sendo reerguida pela nova patronagem, ainda com algumas dificuldades, mas o grupo que está à frente do CTG hoje não vem medindo esforços para levantar o bom e velho Vaqueanos de anos atrás.

As duas entidades são essenciais para Butiá, não só para preservação da cultura, mas para formar crianças e jovens, que além de tudo aprendem a dançar, viver em grupos e a se relacionar com as pessoas.

Saudades do Pago e Vaqueanos da Querência não podem de maneira alguma deixar de existir, mas para isso devem manter à risca suas diretrizes internas para que as tradições não sofram deturpações dentro da própria casa.

Chama sempre viva

Nem tudo está perdido para a tradição gaúcha. Mesmo resistindo fortemente contra o devaneio cultural da Tchê Music e suas variantes do resto do país, as futuras gerações não estão perdidas.

Na sexta-feira (18), ministrei uma palestra na Escola Municipal Maria Camargo para alunos de 4ª a 6ª série sobre a história do Rio Grande do Sul, história do tradicionalismo, a primeira ronda crioula, a fundação do Movimento Tradicionalista Gaúcho, entre outros assuntos ligados a semana farroupilha.

O nível da atenção das crianças e da surpresa quando relatava sobre alguns fatos que são partes da nossa história, e não sabiam, me mostrou como é possível fomentar ainda mais a cultura gaúcha naqueles que gostam de verdade dela e ainda por cima trazer, resgatar aquelas ovelhinhas perdidas para dentro do movimento.

Olhando nos olhos deles vi que a chama que aquece os corações tradicionalistas se manterá sempre viva.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Memória que se Lixe



Na segunda-feira o Deputado Federal Sérgio Moraes (PTB), autor da célebre frase: “Estou me lixando para a opinião pública”, esteve em Butiá anunciando uma emenda parlamentar de mais de R$ 350 mil para construção do Ginásio Poliesportivo do Instituto de Educação Marechal Rondon.

Estive acompanhando a rápida passagem e a rápida cerimônia que ele participou aqui, e pensei que alguém se lembraria do notório fato histórico de sua frase pronunciada na Câmara dos Deputados, mas ninguém lembrou.

Ainda me questionei depois se realmente ninguém havia lembrado, ou se o silêncio naquele momento era mais oportuno, mais conveniente para o momento, talvez sim. Se bem que o brasileiro tem a fama de memória fraca.

Falta Projeto



“Se lixando” ou não, Sérgio Moraes tem sido gentil com a nossa cidade. Além dos R$ 350 mil para o Ginásio do Rondon, há R$ 196 mil depositados e empenhados na Caixa Econômica Federal para a Prefeitura Municipal de Butiá usar em construções de Casas Populares. Só que o projeto para isso não existe o dinheiro está lá, parado!

Com esse dinheiro dá para construir mais de 20 casas populares semelhantes as últimas do conjunto habitacional do bairro São José, de fronte ao Ciep, ou 10 casas para família maiores.

A pergunta é: Quando a Prefeitura vai botar a mão na massa? O dinheiro está na mão, não tem do que reclamar, só falta o projeto e a contrapartida. Isso é tão difícil assim? Ou será que vão esperar chegar um ano eleitoral de novo para ver as obras acontecendo na cidade?

O Preço da Vida

Cada vez mais comum no Rio Grande do Sul, os casos de pessoas que oferecem seus órgãos em sites, fórum e comunidades de páginas de relacionamento transpõem a falta de senso ético em viver.

Espertalhões se aproveitam da deficiência da fila única de espera por órgãos controlada pelo Ministério da Saúde e como num leilão de gado leva quem dar mais “money”, assim as pessoas vão se mutilando e oferecendo seus órgãos sem dó nem piedade do próprio corpo.

- Ei! Aqui... Vendo um rim novo, 21 anos de uso, sem nunca dar problema. Preço: R$ 80 mil. Pagamento à vista, em uma só parcela.

Mas que ofertaço heim! Desespero, dívidas, os motivos são os mais variados que estão levando as pessoas a fazerem isso. Já não bastando o tráfico ilegal de órgãos que acontece no Brasil, agora essa nova onda que desafia a justiça e as autoridades competentes.

Qual é o preço da vida? Será que ela pode ser medida em reais? Será?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O gauchismo predomina




Em contra partida ao nosso natural descaso sentimental com o dia da independência, as comemorações do 20 de setembro subsequntes a essa data, são disparadas mil vezes maiores.

O gaúcho sim tem o maior orgulho de morar no Rio Grande do Sul e dizer para o resto do Brasil que é GAÚCHO, com letras maiúsculas, do tamanho do amor por este chão.

A Revolução Farroupilha foi a única que fez o Império notar que algo estava errado.

Nos 10 anos que foi instituída a República Rio-Grandense (1835-1845), a capital Piratini, mais tarde transferida para Caçapava do Sul e Alegrete, e até mesmo quando foi elaborada sua Constituição Republicana, o Brasil viu que estava preste a perder pra sempre a Província de São Pedro, como já havia acontecido com o Uruguai na Guerra da Cisplatina, anos antes em 1825.

O motivo de toda guerra todo mundo sabe é sempre o econômico, e aqui não foi diferente. Movida pela alta sociedade, houve batalhas épicas e trágicas, promessas não cumpridas e uma paz não aceita.

Mas justamente pelo sentimento revolucionário, por não aceitar o que era imposto por um Império desordenado, em nossa genética foi implantada uma paixão sem tamanho por cada canto desse estado, que não se iguala em nenhum outro estado da federação.

Somos um povo politizado, esclarecido e que preserva fidedignamente nossa história.

Já diz o nosso hino que um povo sem virtude se torna escravo. Aqui no Rio Grande não há isso, e se nossas façanhas fossem modelo para resto do Brasil, quem sabe o amor pátria talvez fosse maior do que o gauchismo que sem sombra de dúvida predominante.

Nacionalismo Perdido




O nosso sentimento de amor à Pátria, hoje, não corresponde aquele fervoroso orgulho de ser brasileiro de tempos antigos, ora talvez impostos por uma ditadura, ora talvez verdadeiros.

Mas o que há de verdadeiro em uma data onde a um grito mentiroso de “Independência ou Morte” não foi dado, às margens de um rio Ipiranga que nunca foi rio e hoje quase nem mais existe?

Mentiras e mais mentiras no passado e no presente, aliás, a compaixão foi sendo perdida ao longo dos anos exatamente por isso.

Nossos administradores, lá mesmo, antes do 7 de setembro de 1822 nunca souberam o que significara tão pouco a “Ordem” quanto o “Progresso” que mais tarde seriam estampados entre um círculo majestoso envolto por constelações da nossa bandeira nacional. Palavras que nunca serviram para nada.

O presente é reflexo disso, de um desleixo histórico, factual e inanimado. O povo ano a ano só tem se decepcionando com tanta sacanagem que é feita em prol daqueles que se dizem comandantes e enchem as “burras” em cima de um povo burro.

O nacionalismo foi perdido. A terra adorada, dentre tantas outras mil, ainda é o Brasil, gigante, forte e impávido. Mas será que há motivos para ser de verdade a pátria amada, idolatrada, salve, salve?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cartão Vermelho pra vergonha



O senado está do avesso, nada mais funciona lá. Até agora NADA foi votado este ano. São apenas escândalos, um atrás do outro, desmoralizando a política e mais ainda a dignidade dos brasileiros.

Mas eles estão lá, firmes, os 81 senadores, recebendo seus milhares de reais mensais durante oito anos, para irem à tribuna baterem boca, isso quando vão ao plenário. Claro que não podemos generalizar com aqueles que fazem parte da Câmara Alta, mas sua grande maioria se encaixa na descrição acima.

Os tais dos Atos Secretos, as centenas de diretorias sem funcionalidade alguma, as pilantragens do Sarney, o Lula o defendendo e assegurando sua permanência no poder e tantas, tantas outras coisas.

O troço anda “dapavirado” a tal ponto que até um cartão vermelho o senador Eduardo Suplicy do Partido dos Trabalhadores levou em uma seção. Dizendo que assim como no futebol, dava um cartão vermelho para o Presidente do Senado José Sarney, para que ele repensasse suas atitudes e se afastasse da presidência. Talvez até fosse o melhor mesmo que Sarney poderia fazer.

Mas Suplicy que sempre foi de fala mansa e tranquila se desestabilizou. Seu microfone chegou a ser cortado e em discussão com o senador Heráclito Fortes dos Democratas, que pediu até um suco de maracujá para que Suplicy se acalmasse.

Só que Heráclito tem razão quando fala que o cartão vermelho devia ser dado ao Lula e ao Mercadante. Lula se intrometeu no Senado e fez com que seus interesses políticos prevalecessem sob um parlamento em crise.

O Supla Pai reagiu tarde de mais ao clamor brasileiro por ordem na política. Acabou virando piada e será e será lembrado por muitos anos após esse episódio. Mas isso é de família, já que sua ex-mulher entrou para a vergonhosa história da política nacional com a célebre frase “Relaxa e Goza” e seu filho não foge disso já que um renomado músico da, como poderíamos chamar... Sei eu se aquilo que ele toca se encaixa em alguma categoria de música. Na real ele não passa de um punk louco. E de louco essa família entende.

O que é Excelência?



Vossa Excelência está faltando com o respeito. Vossa Excelência está com medo. Vossa Excelência trate de ficar quieto... Vossa Excelência! VOSSA EXCELÊNCIA!!!

Os dicionários falam que excelência é uma qualidade de excelente e excelente é sinônimo de ótimo. Assim os Senadores em meio às baixarias de suas discussões se intitulam: Vossa Excelência isso, Vossa Excelência aquilo.

Quem é excelente? O que é excelência? Isso que estamos vendo?

Cabides de emprego, gastos excessivos, farra de passagens, empreiteiras lobistas ou laranjas e ainda gritos, berros no plenário faltando apenas partirem para o soco.
São essas Excelências que queremos no poder?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hora de Acordar



A reportagem levada ao ar pelo Globo Repórter na última sexta-feira, dia 21, sobre principalmente minas de pedras preciosas do país levou-me a uma rápida comparação com nossa cidade.

Como ouvir falar de “minas” sem nos remeter àquilo que está debaixo de nossos pés. Em todas as cidades que os repórteres visitaram, notei que as palavras mais pronunciadas pelos garimpeiros eram: fé, esperança, dinheiro e sonhos, muitos sonhos.
Todas essas palavras que hoje embalam cidades espalhadas pelo Brasil, foram ditas repetidamente aqui em Butiá, a saudosa “Capital do Carvão”.

A Fé era conduzida por Santa Bárbara, que protegia os mineiros do alto da Vila Nova, de fronte ao Poço Farroupilha, ou na boca da galeria. Galerias que eram repletas de mineiros esperançosos, mesmo com um pouco de medo, desciam 100, 200, 300 metros em busca de carvão e mais carvão, pois eram de onde tiravam o seu sustento. Sustento que fazia girar o dinheiro. Esse trouxe gente de todo lugar do mundo para cá, em busca de sonhos.

Sonhos de uma vida melhor, de uma educação digna para os filhos, de uma saúde competente para a esposa, de um lugar para se divertir aos finais de semana com a família e de uma cidade boa para se viver.

Assim surgiu Butiá, um lugar construído por sonhadores, esperançosos, gente simples, que aos poucos viu tudo isso desaparecer. As minas fecharam, a cidade estagnou e toda aquela busca utópica parecia ter escapado de nossas mãos, assim como um balão repleto de gás hélio, escapa de uma mão de uma criança e vai subindo, subindo, subindo para os céus e de lá some.

Essa criança fica olhando, olhando, tentando achá-lo e pegá-lo de volta, pois tem a certeza que um dia terá aquele balão em suas mãos. Já o adulto sabe que aquele balão que escapuliu, nunca mais voltará às mãos daquela criança.

Butiá ainda é uma criança que tenta achar o balão o perdido, olha para cima, procura, procura, tenta, mas não acha o seu sonhado balão, repleto de sonhos, esperança e quem sabe crescimento.

Há muito tempo é a hora de acordar, ver e pensar como adultos, buscando uma nova alternativa para ao menos esperançar a população.

Os Segredos da Fé

O mito ou a lenda urbana do suposto “Homem das Cinzas” achicou Butiá essa semana.

Quem era esse homem? Será que realmente existiu? De onde veio? Como chegou até aqui? Quem o conheceu? As dúvidas são muitas, assim como as supostas graças alcançadas por aqueles que depositam sua fé no pequeno túmulo representativo de onde ele está enterrado.

Todo mundo já ouviu falar que até um copo d’água pode curar, basta ter fé. A fé é misteriosa, porém poderosa. É aquilo que está ao nosso lado sempre, em todos os momentos, bons ou ruins.

Há quem acredite em santos, orixás, espíritos, mantras, deuses, não interessa, cada um tem sua individualidade o opta por sua religião, mas Deus, esse é o mesmo em todas elas. Ele é o criador de tudo, do universo, da terra, de mim, de você e de todos os segredos que envolvem a vida.
Como diz o ditado: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que se possa imaginar”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Será que vale o milhão?



Desde o início deste mês estão abertas as inscrições para mais uma edição do Big Brother Brasil. Como de costume irá ao ar nas férias de verão entre os meses de janeiro e março na Rede Globo. Por ser a 10ª edição seguida o prêmio ainda não foi definido, mas há boatos de que seja em vez do tradicional R$ 1 milhão, agora R$ 10 milhões.

Hoje um das maiores portas de entrada de dinheiro para a Globo, na edição deste ano faltando um mês para acabar o programa, os contratos publicitários já tinham pago todos os custos do programa até o seu término e mais um lucro de R$ 50 milhões.
É um jogo que para o Brasil, mostrando a vida de 16 pessoas confinadas, em uma casa de luxo, com diversas mordomias e ainda ganhando carros, eletrodomésticos, até franquias e os mais diversos presentinhos.

Muita gente acha fútil, diz que não assisti e isso e aquilo, mas se perguntar ao menos um participante conhece, sua história, se brigou, se namorou, se beijou e etc. É impossível escapar disso. Também há quem não se inscreva por que diz perder muito tempo gravando vídeo e respondendo questionário, ah, mas é um tempinho perdido que vale a pena se pensar bem nos resultados que podem acontecer.

Certo que há algumas cartas marcadas antes de começar a edição, um empurrãozinho para muitos alavancarem sua carreira. Sem contar a edição diária, que em seu resumo favorece a pré-estabelecidos. A Globo gosta muito disso, falando nisso...

A Record se defende

A briga entre as duas emissoras está estabelecida. Ganhando fatia de mercado dia-a-dia, a Record incomoda a Rede Globo que vê seu monopólio da informação diminuindo gradativamente.

A Globo teve acesso ao processo, acusados, escutas telefônicas, vídeos, um grande dossiê incriminando Edir Macedo, dono da Igreja Universal, pessoas próximas a ele, e aos veículos de comunicação da Igreja.

A Record por sua vez respondeu a Globo, mostrando em uma reportagem de 10 minutos, todas as ilegalidades e favorecimentos históricos geradas pelo Globo. O apoio a Ditadura Militar, o empréstimo milionário do grupo estrangeiro Time Life à Globo, proibido pela Constituição da época, além de tentativa de fraude nas eleições em que Leonel Brizola se candidatava, o apoio a eleição de Collor, o apoio ao impeachment dele, sem contar a tentativa de derrubar Lula em 2006 e mais uma série de coisas.

O certo mesmo é que ambas possuem um passado podre e ambas agem em benefício próprio, usando da TV para propagar suas idéias e monopolizar a mente dos brasileiros. Globo com sua filosofia de interesses da família Marinho e a Record em pró dos seus fiéis, pregando sua suposta palavra de Deus.

A briga é de cachorro grande, porém nem Record, nem Globo, fazem no Brasil um papel de imprensa limpa e transparente. Enquanto isso, o público que “pague o pato” assistindo “round” a “round” essa briguinha que não vai acabar tão cedo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Um pouco mais de cultura



Não é ser chato, repetitivo ou coisa parecida, mas relembrando o que ressaltei a duas semanas atrás da importância da cultura para desenvolvimento de uma comunidade, mais importante ainda é o incentivo à cultura.

A forma não interessa, sejam leis, auxílios públicos, doações informais, doações de empresários, que tanto ganham dinheiro e às vezes pouco ajudam. Não importa, educação e cultura são os padrões que indicam o desenvolvimento de um povo.

E no quesito de incentivo à cultura quero mandar um agradecimento especial ao Vereador Daniel Almeida. Mesmo não sendo meu correligionário, merece louvor, quando na última semana auxiliou no regresso da Cia de Artes Universo em Dança do Aeroporto Salgado Filho e Porto Alegre a Butiá, quando o Grupo retornava da Europa, assim como o Diretor do Instituto de Educação Cenecista Professor Alcides Conter, Zé Maria. O agradecimento se estende também à Prefeitura Municipal de Butiá, que também sem ela esta viajem talvez nem fosse realizada.

Aos poucos Butiá vem caminhando nesse passo. A formação do Coral Municipal é uma grande iniciativa, o retorno do Festival Coxilha Negra, a criação de grupos de danças nas escolas públicas, o incentivo aos grupos maiores, ao tradicionalismo. Atividades para alunos da rede na Biblioteca Pública, tudo isso é de muita importância.

Mais ainda é necessário dar atenção à história da cidade, a datas marcantes, aos pontos e prédios históricos, ruínas e etc. Antes que o tempo haja de vez sobre elas e nos reste apenas fotos e lembranças.

Também há ações como um grupo de teatro, quem sabe um centro cultural, pequenas coisas que somadas a um todo resultam num grande montante para a cidade e para a população.

Gripe A e a mídia



Viajando pela Europa nesses últimos 20 dias, pude notar uma coisa, a “Gripe A” lá não está sendo levada tão a sério quanto aqui no Brasil. Há uma notícia aqui outra ali e alguns jornais impressos e na TV, mas não são assuntos principais da pauta. Claro que lá é verão e isso reduz as incidências.

Em Portugal não vi pessoas usando máscaras, apenas na Espanha e era uma ou outra pessoa. Já em São Paulo o número quadriplicava. Nos bastidores da mídia e das faculdades de medicina, há quem diga que esta “Gripe A” está sendo usada para tirar da vitrine notícias da grande crise econômica mundial, que se analisarmos bem faz sentido.

Alguém de vocês vê no Jornal Nacional, Jornal da Record ou da Band, notícias de empresas falindo pelo mundo, de mais desempregados, como acontecia no auge da crise? Não, agora é só gripe, gripe e gripe.

Milhares de pessoas morreram ano passado só por causa da gripe comum, mas por que isso não foi divulgado? Por que não havia contagem oficial? Agora com esse novo surto, de um vírus levemente modificado o pânico foi instalado.

Outro boato é referente ao “tamiflu”, principal remédio usado no combate a Gripe A. Só um laboratório no mundo possui a patente deste remédio. Para aqueles fãs de teorias conspiratórias, dizem que George W. Bush é sócio deste laboratório. Verdade? Não sei, mas intrigante isso é.

Em Butiá não há casos confirmados, apenas dois suspeitos que estão sendo monitorados em Porto Alegre. A Secretaria de Saúde está fazendo um trabalho de prevenção a quem chega ou sai de viajem para fora do estado para garantir a segurança da comunidade. Afinal prevenir é melhor que remediar.

O Regresso


Cia de Artes universo em Dança na freguesia de Valadares, estado de Viseu, Portugal

Infelizmente como tudo na vida, as coisas passam, as coisas acabam. Independente de períodos, fases, momentos, tudo tem fim. Passados 17 dias em terras lusitanas, podemos resumir tudo que aconteceu aqui em muito conhecimento, muita cultura, e também muito cansaço, porém um cansaço compensatório.

A rotina era intensa, alguns dias dormimos menos de 5 horas. Entravamos num “auto-carro”, nome dado aos ônibus aqui, dançávamos em um local, voltávamos a viajar, chegávamos em outro local, dançávamos e isso se repetiu por diversas vezes.

No outro dia pela manhã as coisas eram iguais, cada público nos recepcionava com muito carinho, fomos muitas vezes aplaudidos de pé. Chegamos a dar oficinas de danças e ensinarmos a varias pessoas daqui nossas danças tradicionais como Pezinho, Chote de Sete Voltas e Chico Sapateado.

Foram quatro festivais internacionais de folclore, convivências com grupos portugueses, paraguaios, russos e de tantos outros países. Algo que ficará pra sempre.

Nas horas livres visitamos lugares que antes até então eu jamais imaginaria conhecer. Na Espanha, a cidade de Santiago de Compostela foi a mais marcante pela exuberância das igrejas e as riquezas em seu interior. Em Portugal foram tantos lugares, tantas igrejas. A cidade do Porto lembra muito Salvador pelo tipo das construções, um rio de águas calmas e um Forte sobre o monte, seus vinhos então... Sem comentários.

Os estádio do Dragão do Porto Futebol Clube é imponente. Seu complexo desportivo é o mais moderno de Portugal e um dos maiores da Europa. Em Viana do Castelo, uma igreja sob o topo de um morro de fronte para o Atlântico Norte, aponta a vista mais bonita da Europa.

Fomos também à Serra da Grávia, a um dos pontos mais altos da Península Ibérica, com mais de 2 mil metros de altitude. Visitamos aldeias de moradores nativos, umas com três habitantes, outras com 11, todas as casas construídas em pedras de xisto e cravadas em meio aos morros em uma arquitetura perfeita de encaixe.

Deixamos lá, grandes amigos e companheiros, que também pela preservação das tradições de seu país, de suas regiões. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos com um só objetivo, manter a cultura do seu povo.

Mas também a saudade de casa, da comida da mãe, dos amigos e por incrível que pareça da rotina já estava a me atormentar. A rotina que tanto nos estressa, prende nosso tempo, faz nossos dias serem muitas vezes amargos e chatos, até essa faz falta.

A vida volta ao normal a partir de então, mas na cabeça ficará para sempre essa experiência sem explicação, convivida com pessoas atenciosas que nos trataram como reis nos dias que estivemos lá.

Parabéns Cia de Artes Universo em Dança e Grupo Raízes pelo trabalho mostrado e que encantou os Estados de Viseu e Braga e tão bem representarem o Rio Grande do Brasil. Parabéns aos Grupos de Vila Nova de Sande, de Guimarães e da Serra da Grávia de São Pedro do Sul que tão bem nos recebeu a nós um Muito Obrigado, muito obrigado e muito obrigado.

A Cultura é aqui


Santiago de Compostela, Espanha


Viajar 31 horas não foi fácil. O desgaste foi grande, três trocas de aviões, misturadas com viagens, ora longas, ora curtas, ora sendo bem atendidos pelas aeromoças, ora não muito, mas isso faz parte de uma jornada tão grande como esta.

Esta mistura de turnê com intercâmbio, muito tem me servido, para poder analisar tudo o que esta acontecendo na minha vida e na vida de muitos que me rodeiam. Não só a dança, os grupos estão tendo dia a dia seu trabalho valorizado com as diversas apresentações, mas nós como pessoas sabemos que a ainda temos muito a aprender. Nos sentimos em casa pela semelhança da língua, mas sabemos que estamos na Europa pelo desenvolvimento visto.

Aqui não há favelas, não há pessoas morando abaixo da linha da miséria, não há mendigos, os crimes, assaltos, furtos, roubos são raros. O ensino público funciona!

São 12 anos de estudos, e somada a médias de todos os anos, você escolhe um curso, se sua média for boa entra na Universidade Pública, se não é feito apenas uma prova especifica com a área.

O valor dado a cultura aqui é algo inexplicável. Cultura aqui é a prioridade. A cidade de Guimarães onde estávamos hospedados até a última quinta-feira, dia 30, está se preparando para em 2012 ser a capital européia da cultura. Todas as obras da cidade estão focadas nisso, reforma de museus, castelos, fortalezas, casas histórias e por ai vai.

A arquitetura é toda baseada nas do século passado, casas novas ou velhas são construídas da mesma maneira, a maioria das ruas são estreitas, a maioria de paralelepípedos de excelente qualidade. Os carros, bom, esses que pensam ser bacanas e andam em carrões importados ai, aqui passariam vergonha. Mais de 85% da frota é 0 km, e motos somam menos de 4%.

A moeda daqui é o Euro (€), €1 vale praticamente R$ 3. Hoje, o Euro bate taco a taco com o Dólar para ver quem é a moeda mais forte do mundo, enquanto o Real ainda é volátil ao mercado americano. Verdade que Portugal está em recessão, assim como toda a União Européia, mas aos olhos isso quase não é visto. Quase não há impostos, há coisas muito baratas, e outras caras comparadas ao Brasil.

Apesar dessa diferença, volta e meia parece que temos a mesma moeda. O salário mínimo aqui é de €450, bem parecido com o do Brasil, claro que o padrão de vida é bem diferente. Uma lata de Coca Cola ou Guaraná, por exemplo, é de €0,75, convertendo para o real isso dá R$ 2,25. O litro da gasolina é o mais caro da Europa €1,20 em média, que dá mais de R$ 3,50. Porém quanto o assunto é saúde, alimento, tecnologia e vestimentas, perdemos feito.

É literalmente outro mundo. Mas muito bom de viver. Deixando de lado as comparações e voltando às danças, nosso objetivo principal aqui, foi uma semana desgastante a que passou, com momentos alternados entre espetáculos, mostras e participações. Mas também com horas de descanso e visitas.

Tivemos na terça-feira na Espanha conhecendo e se apresentando em Santiago de Compostela, Vigo e Valença. Um lugar mais lindo que o outro. Desde que chegamos foram mais de 10 apresentações, em praças, escolas, asilos e festivais de cidades e freguesias do estado de Braga. Houve dia que dançamos até quatro vezes, uma maratona desgastante, mas compensadora. Até agora convivemos e dividimos palco com grupos paraguaios, russos, franceses e espanhóis.

Neste final de semana deixamos Guimarães, cidade que estávamos hospedados, e passamos para São Pedro do Sul, no estado de Viseu. Lá também estaremos nos apresentando pelo estado, e participando de mais um Festival Internacional de Folclore “Andanças”.

Nossa chegada no Brasil está prevista para a próxima quinta-feira, dia 6. Do que acontecer daqui até lá relato na próxima semana. Um abraço a todos e a saudade é grande de casa.

Na terra de Cabral


Um dos primeiros castelos de Portugal, em Guimarães, cidade onde nasceu Dom Afonso Henrique, primeiro rei do país

Tantas coisas aconteceram desde aquele ano de 1500, quando
o desbravador Pedro Álvares Cabral, vindo do velho continente,
cruzando o temeroso Oceano Atlântico, descobrira o novo
mundo. Durante os séculos XV e XVI, Portugal foi uma potência
mundial econômica, social e cultural, constituindo-se o primeiro
e o mais duradouro império colonial de amplitude global.

É impossível, na história, falar de Portugal sem fazer relação
ao Brasil, assim como vice-versa. Os legados são muitos, a religião,
alguns costumes, os sobrenomes, a arquitetura, e principalmente
a língua.

Infelizmente o Brasil por muito tempo, não passou de uma
mera colônia de exploração. Grande parte da riqueza portuguesa
provinha destas terras. Aqui também foi o esconderijo da Corte
quando invadidos por Napoleão Bonaparte, fugiram para estas
terras tupiniquins e estabeleceram aqui seu império.

Era a Rainha Louca, um futuro imperador medroso e cornudo,
junto com uma princesa devassa. Talvez esteja explicada muita
coisa do nosso presente, com esse passado “cool”.

Hoje os desbravadores não mais são portugueses, desta vez
são brasileiros. O oceano a ser cruzado continua o mesmo, porém
a terra desconhecida e outra. E as caravelas, psss, essas são passado,
agora o negócio é avião.

Assim, do interior do Rio Grande do Sul, partiu na última
terça, dia 21, a delegação formada por 30 pessoas. Dois grupos
de dança, que estão no seleto grupo dos poucos que já viajaram
até Portugal, o primeiro da região e o primeiro de Butiá. Estamos
sendo um ícone para a cultura desta cidade.

Neste momento inclusive caro leitor, nós devemos estar realizando
uma apresentação no Festival Internacional de Folclore
em Guimarães, na Freguesia de Vila Nova de Sande. Este é o
Universo em Dança, que possui oito anos de história, e uma infinita
bagagem de conhecimentos a mostrar e aprender.

Uma viajem continental, grandiosa pela sua distância, grandiosa
pelos seus desafios, grandiosa pelos idealizadores deste
sonho. Proporcionada exclusivamente pelo Instituto Cultural Português,
pelo Governo Civil de Portugal que está nos dando todo
o suporte de transporte, estadia e alimentação. Sem deixar de
falar é claro, nas Prefeituras Municipais de Butiá e Taquari, e a
todas as empresas destes dois municípios, apoiadores da cultura,
que fizeram do sonho realidade.

Do frio de quase 0ºC gaúcho aos 35ºC do verão escaldante
europeu. Na próxima semana continuarei contando como estão
sendo os dias aqui, as experiências, as freguesias e cidades que
estamos passando e todas as coisas novas que estamos conhecendo
junto da cultura e do folclore deste país.

Ainda também estarei fazendo assim que possível contato
telefônico com a Rádio Sobral a qualquer momento, dando um
boletim à comunidade de como está sendo esta turnê-intercâmbio.
Um abraço a todos e até a próxima edição...

Desculpas!

O Blog ficou um pouco abandonado,
por que estava viajando e sem tempo
para atualizá-lo.

Mas farei isso neste exato momento
publicando todas minhas colunas do
Jornal Sobral, quando estive fora!

Abraço a todos.

Desculpas!

O Blog ficou um pouco abandonado,
por que estava viajando e sem tempo
para atualizá-lo.

Mas farei isso neste exato momento
publicando todas minhas colunas do
Jornal Sobral, quando estive fora!

Abraço a todos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Por onde anda o poder!


Tanto na esfera nacional, como na estadual e ainda na municipal, o poder está disperso, desencontrado, e ainda por cima sem seriedade.

Lula saiu em viajem para fazer a velha política barata para o Brasil assumir cargos importantes perante o mundo. Em vez da tão sonhada cadeira no Conselho de Segurança da ONU, a pretensão brasileira agora é o G8, G5, G20, Bric. Siglas que eu, e metade da população nem sabe mais o que quer dizer de tanto que se fala, parece mais um jogo de batalha naval do que qualquer outra coisa.

De repente até poderá trazer resultados futuramente, já que somos um país emergente, a crise não nos atingiu, foi só uma marolinha mesmo, e os milhares de desempregados são virtuais.

A revista britânica “The Economist” descreveu Lula em um artigo intitulado “Casa dos Horrores” em referência ao Senado com a seguinte frase: “Lula fecha os olhos para escândalos, quando lhe convém”. Na minha opinião, a melhor descrição do presidente nos últimos tempos. Até que um dia alguém no mundo notou isso.

Voltando ao foco, Lula saiu em viajem e deixou nosso país nas mãos do Vice-presidente José de Alencar, que se internou para sua 14º operação na retirada de um tumor. Guerreiro, aos 77 anos, passa por mais esse teste. Porém no assunto política, ele não transmitiu o cargo para a 3ª pessoa do poder, o Presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer.

Por alguns dias, o Brasil ficou sem um comandante. Claro que ainda sobrara a 4ª pessoa da República, no caso o Presidente do Senado, José Sarney, mas esse amigo... Nem vem ao caso.

No Rio Grande do Sul, Yeda Crussius colocou sua chance de reeleição no lixo com o escândalo do “Caixa 2”, a misteriosa morte de Marcelo Cavalcante, as irregularidades no Detran e o “boca de sacola” Lair Fersl. Tudo isso ainda vai dar muito pano pra manga.

Ninguém lembra que ela deixou o Estado em déficit zero, mas as acusações são graves e misteriosas.

Se o país e o estado andam tão loucos assim, um pouquinho desta loucura certamente respingaria na gente, aqui na terrinha.

O projeto que cria novas “tetinhas”, opa desculpe, cria novos cargos em comissão na Câmara de Vereadores, voltou à pauta, com algumas modificações. Ao mesmo tempo o Prefeito Sérgio Malta se licenciou do cargo para retirada de um dreno. O caso estava mais sério e foi necessário passar por uma nova cirurgia, prolongando seu afastamento.

O vice Paulo Machado, assumiu o Executivo municipal e junto com ele se forma a maior controvérsia política da história recente do município.

O PT seu partido, que foi sempre contra a criação dos CC’s no Legislativo, surpreendentemente aprova a criação dos cargos.

Como assim eu me pergunto? Você eleitor também repete a questão, já que acreditava em uma palavra, vê outra em execução.

É a governabilidade amigos, ou seja, por não ter a maioria na Câmara e ter medo dos seus projetos rejeitados... O Executivo cede daqui, para manter a PAZ entre os poderes. Coisa linda, poética, mas que pra mim tem outro nome.

Ouvi falar: “Tudo foi orientado pelo Prefeito afastado, Sérgio Malta”, será??? Fontes me disseram que ele não orientou NADA! Verdade? Mentira? Quem vai dizer agora?
E mais, o Jornal Sobral adiantou na última semana, que Sérgio Malta nos próximos 10 a 15 dias volta para a cidade, mais ainda não volta a assumir o poder, pois necessita de repouso e atenção médica. Desejamos melhoras ao senhor Prefeito!
É tanta confusão política no Brasil que nossa cabeça fica confusa e nem sabe mais separar os políticos bons dos ruins.

Do nada agente acaba levando uma rasteira de vez em quando.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Último Show!


Todas as expectativas previam que a despedida pública de Michael Jackson seria um funeral transformado em show, porém o show foi transformado em funeral. O último show.

Neste show não havia fãs histéricas, efeitos pirotécnicos, danças enlouquecedoras, acusações de pedofilia, excentricidades e muito menos um “moonwalk”. Havia como sempre milhares de pessoas lotando um ginásio, dezenas de artistas e em vez do natural frenesi, um silêncio ensurdecedor que permaneceu até seu caixão entrar, empurrado por seus irmãos.

Junto com as palmas, o barulho que mais se ouvia era de choros e soluços. O mundo naquele momento parou para assistir e cortejo e se cobrir de luto. Um 7 de julho que jamais será esquecido. Estavam os cinco continentes do planeta comovidos, diante de um fenômeno global morto.

Famosos como Usher, Diana Ross, Mariah Carey, Brooke Shields, Magic Johnson, Kobe Bryant entre tantos outros falaram sobre suas relações de amizade com Michael, cantaram, homenagearam e como seres humanos que também são não fugiram às lágrimas.
E mesmo quem as segurou até o fim, não resistiu ao ouvir a pequena Paris de 11 anos, ainda chocada com o “boom” de informações que passava pela sua mente dizendo: “Ele era o melhor pai que se pode imaginar. Era o melhor pai do mundo”. Los Angeles entrou num choro profundo ao ver a declaração da criança.

Michael Jackson estabeleceu um novo padrão na música pop mundial. Junto com seus quatro irmãos resgataram o “rhythm and blues” esquecido nos guetos americanos, e que mais tarde serviria de influência para o “rock and roll”, incrementaram coreografias e começaram a liderar as paradas de sucesso.

O talento de “Jacko”, como também era chamado, era maior que o grupo, por isso em 1971, com apenas 13 anos, teve que deixar seus irmãos de lado e iniciar carreira solo. Momentos este que o colocaria brevemente como ícone no cenário da música mundial.
Ele mudou de cor, mudou o cabelo, se envolveu em escândalos, mas uma coisa ele não abria mão: que o tempo demorasse a passar. Na contramão queria viver 150 anos, sem nunca deixar de ser criança. O seu rancho “Neverland”, a Terra do Nunca, era seu esconderijo “mágico”, onde lá poderia se sentir assim.

Não poupou esforços quando o assunto era caridade, participou de campanhas humanitárias em diversos países e se tornou o maior artista a ajudar pessoas carentes no mundo inteiro.

O “Rei do Pop” era a celebridade mais conhecida do globo terrestre. Ninguém vendeu mais discos, ganhou mais dinheiro, ganhou mais prêmios e se manteve tanto tempo nas paradas de sucesso como ele. Um mito, um paradigma que tão sedo não será quebrado, mesmo após a parada cardíaca que o levou a morte, aos 50 anos, no triste 25 de junho.

Entre suas tantas excentricidades Michael Jackson se casou a primeira vez com Lisa Marie Presley, filha do eterno “Rei do Rock” Elvis Presley. Em uma conversa antes da separação Michael revelou a Lisa que havia tido um sonho em que ele morria, e sua morte seria repercutida da mesma forma da de seu pai, assim ele seria eternizado como “Rei do Pop”.

Fãs de teorias conspiratórias perguntam-se: Será que Michael Jackson realmente morreu? Isso não poderia ser uma estratégia midiática? Há discussões rolando na internet apontando que “Michael não morreu”.

Eu sinceramente acredito que teorias conspiratórias até são legais de estudo, mas quando envolvem instituições, governos, sociedades secretas, e não artistas, cantores, pessoas de vida pública.

Questões como a real causa da morte, o local de sepultamento, o destino da herança, as supostas dívidas e o futuro dos três órfãos, ainda são incógnitas que incrementam ainda mais o folclore que envolve o cara que será eternizado: pelo seu talento, pela sua arte, pelo seu estilo de dançar e pelas multidões que atraia e continuará atraindo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Contagem regressiva



Faz tempo desde aquele ano de 1993 quando pela primeira vez na vida eu entrava na invernada artística mini-mirim do CTG Saudades do Pago. Era um “toco de gente” que aos poucos aprendia danças simples, que toda criança sabe, tipo Pezinho, Maçanico.
Em seguida veio a primeira pilcha, as primeiras apresentações, a mãe coruja babando em volta, e mais outras danças, Chote de Quatro Passi, Chote de Carreirinha e por ai vai.

Ano a ano aconteciam evoluções. Mudavam os instrutores, entrava uns saiam outros. Cada vez mais aprendíamos danças novas, não demorou muito vieram os primeiros sapateios. Lembro como se fosse o hoje o “Tio Ito” um dos instrutores que passaram pelo CTG Saudades do Pago ensinando o “Taco, ponta e pé”, assim repetidas vezes, até agente conseguir acertar. A coordenação era difícil uma barbaridade.

Em 2000, o Tinho Almeida e a Luziana Jukoski passaram a ser os novos instrutores das invernadas do CTG. Com isso formamos um grupo consistente, robusto e seguro. A partir disso foram mais de cinco anos de amizades e grandes parcerias. Com a idade chegando a mudança e categoria era obrigatória. Da Mirim passei para Juvenil e da Juvenil para Adulta. Aprendemos todas as danças tradicionais, fomos a concursos, rodeios e sempre almejávamos um dia participar do Enart, o maior concurso amador de danças do mundo, promovido anualmente pelo MTG, o quê infelizmente não chegou a acontecer.

Mas como nada é eterno, sob uma nova administração, o novo Patrão decidiu acabar com os grupos da entidade. A atitude não foi bem quista por muitos, mas no fim foi aceita.

Nesse meio tempo já existia o Grupo de Projeção do Iecpac, também coreografado pela Luzi e pelo Tinho, mas que não tinha muito a ver com danças tradicionais gaúchas.

Era mais voltado para o folclore latino, com Malambos, Boleadeiras e algumas danças gaúchas estilizadas.Alguns dos antigos integrantes da invernada já dançavam nesse grupo, mas a maioria do pessoal não.
Aproveitando quando foram abertas triagens para pessoas que tivessem interessadas em dançar no grupo do Iecpac. Eu e mais a galera que estava sem dançar, nos inscrevemos, fomos aprovados e começamos a integrar o Grupo de Projeção.

Em uma eleição o novo nome do grupo foi definido como “Companhia de Artes Universo em Dança”, para participarmos do nosso primeiro concurso de nível estadual o Bento em Dança, onde fomos campeões.

A partir disso o grupo não parou de crescer, fomos campeões no ano seguinte do Festival de Dança da Serra Gaúcha em Canela, no outro ano do Porto Alegre em Dança, depois do Taquari em Dança. Em 2007, desbravamos as fronteiras do Rio Grande do Sul e fomos campeões do Balneário Camburiú em Dança em Santa Catarina. Não tendo mais o Brasil por limite alguns integrantes buscando maior qualificação técnica em 2008 participaram na capital Argentina, Buenos Aires, de cursos e fóruns sobre Tango e Folclore Argentino.

Dezesseis anos se passaram desde aquele 1993 e agora em 2009, em uma parceria com o Grupo Raízes de Taquari e com o Instituto Cultural Português a Cia de Artes Universo em Dança estará participando de sua primeira turnê internacional de shows pela Europa.

O grupo ao qual eu estarei junto partirá no próximo dia 21 de julho para Portugal e Espanha, onde ficaremos por 15 dias se apresentando em escolas, teatros e instituições culturais dos países. Levaremos um pouco do folclore gaúcho, com misturas de Danças Tradicionais e Danças de Projeção.

Apoios importantes de empresas, das prefeituras e do próprio governo português foram essências para a realização da viajem. Ainda faltam mais de 20 dias, mas a contagem regressiva é grande para que esse dia chegue. Formaremos uma delegação de 30 pessoas, 19 de Taquari e 11 de Butiá.

A cidade deveria se orgulhar e apoiar ainda mais esta iniciativa, que levará seu nome junto para o outro lado do Atlântico. De lá, do velho continente, estarei através deste espaço contando a todos vocês leitores, como estará sendo esta experiência pessoal que é de suma importância para o Cia de Arte, mas mais ainda para o engrandecimento cultura de Butiá.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Estamos Prontos?



Políticos, intelectuais e autoridades, – entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – cada vez mais defendem a legalização do consumo pessoal de maconha. Será que o Brasil está pronto a seguir o exemplo holandês, onde a droga é liberada?

O debate sobre a legalização do uso pessoal da maconha não é novo, mas mudaram seus defensores. Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista.

Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal? Legal no sentido de lícito e aceito socialmente, como álcool e tabaco? Começando pela maconha. Fumada em cigarros, conhecidos como “baseados”, ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, “dá barato” – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.

Na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, ninguém exalta as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Os danos à saúde são reconhecidos. As conclusões da comissão seguem a lógica fria dos números e do mercado.

Gastam-se bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira de “um mundo livre de drogas” – hoje considerada ingenuidade ou equívoco – mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.

s EUA gastam US$ 35 bilhões por ano na repressão e, em pouco mais de 30 anos, o número de presos por envolvimento com drogas decuplicou: de 50 mil, passou a meio milhão. A cada quatro prisões no país, uma tem relação com drogas. No site da Casa Branca, Obama se dispõe a apoiar a distribuição gratuita de seringas para proteger os viciados de contaminação por Aids. Alguns países já adotam essa política de “redução de danos”, mas, para os EUA, o cumprimento dessa promessa da campanha eleitoral representa uma mudança significativa.

A Colômbia, sede de cartéis do narcotráfico, foi nos últimos anos um laboratório da política de repressão. O ex-presidente Gaviria afirmou que seu país fez de tudo, tentou tudo, até violou direitos humanos na busca de acabar com o tráfico. Mesmo com a extradição ou o extermínio de poderosos chefões, mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares.

Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos.

Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade.

Crescem entre estudiosos três convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: Não há investimentos em saúde pública para sanar viciados. Terceira: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência.

Hoje se prende um traficante, surgem outros no lugar, num sistema cíclico infinito. É importante ressaltar que a proposta da comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países, por ser a droga menos danosa ao organismo, e a mais consumida. Porém seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta.

*Pesquisa Revista Época